Alta da carne bovina deve puxar frango e suínos, diz economista

Há cerca de dois meses, os brasileiros que consomem carne bovina estão percebendo os preços mais “salgados” do produto. Na última segunda-feira (25), o quilo da carne estava cotado a R$ 15,79 a nível nacional, segundo levantamento feito pelo Cepea/Esalq/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Na comparação com o fim do mês de outubro, quando o quilo da carne custava R$ 11,51, houve uma elevação de 37,2%. Em comparação com o mês de setembro, quando o quilo estava cotado a R$ 10,83, a alta foi de 45,8%.

Em entrevista ao portal R7, o economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Mauro Rochlin, disse que a alta do mercado interno da carne acontece devido às exportações do produto, principalmente para a China.

“O mercado espera que as exportações se mantenham em alta. A tendência é que os preços internos sejam igualados aos externos e se estabilizem em um determinado momento, ou seja, parem de subir. Não é esperada, no entanto, a redução dos preços praticados atualmente”, diz Rochlin.

A cotação do dólar também influencia no aumento do preço da carne. O economista e professor universitário, Wallace Millis, ressalta que a alta da moeda americana acaba transformando o mercado externo em prioridade para alguns produtos nacionais, como a carne, por exemplo, promovendo o desabastecimento dentro do país.

“A medida em que você abre esse drive exportador, num mercado interno muito reprimido, não há outra alternativa para o produtor de carne a não ser buscar escoar esse produto para o exterior”, destacou o economista, em entrevista à TV Vitória/Record TV.

O pesquisador de pecuária do Cepea, Thiago Bernardino Carvalho, ressalta que 80% da carne produzida no Brasil é consumida internamente e atribui a alta no preço da carne também ao abastecimento do varejo por conta das vendas de fim de ano.

Três tipos de carne aparecem com alta de exportações na balança comercial

Dados da balança comercial entre Brasil e China, coletados no site do Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, apontam aumento na exportação brasileira dos três tipos de carne – bovina, suína e de frango – para a China.

Na comparação com o acumulado de outubro do ano passado com o deste ano, a balança comercial brasileira registrou uma alta de 163,18% nas exportações de carne de bovino congelada, fresca ou refrigerada, passando de 141.835.860 toneladas para 373.280.531 toneladas. Alta de 163,18%.

Também foi registrada alta de 160,34% nas exportações de carne de suíno congelada, fresca ou refrigerada no acumulado do mesmo período. O mesmo ocorreu com a carne de frango congelada, fresca ou refrigerada, incluindo miúdos. A alta registrada foi de 61,48%.

Com informações do Portal R7.

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